sexta-feira, 11 de maio de 2012

Revista “Nature” publica estudo polêmico sobre vírus da Gripe Aviária onde cientistas criam vírus mortal para humanos!

A publicação ocorreu no dia 2 de maio, e traz uma pesquisa polêmica, que provocou durante meses um importante debate científico por especialistas em biossegurança dos Estados Unidos, os quais chegaram a sugerir barrar o estudo. O artigo descreve uma mutação genética criada em laboratório, a qual faz com que o vírus influenza H5N1, causador da gripe aviária, se torne transmissível entre mamíferos.
O motivo de tanta discussão é que o vírus é muito letal para o homem, o que poderia provocar uma pandemia entre nós. Porém, isto é apenas uma suposição, pois não há casos relatados de transmissão entre humanos até hoje. Os cientistas simularam a mutação, justificando que esta poderia ocorrer naturalmente, e sendo que assim já poderíamos estar preparados.
O maior medo da comunidade científica é que a metodologia seja utilizada como arma biológica pelos terroristas, e por este motivo o Painel Consultivo sobre Biossegurança dos Estados Unidos (NSABB) pediu que  detalhes do trabalho fossem suprimidos.

Para Ron Fouchier, Sander Herfst e Albert Osterhaus, “ao compararmos o nível de ameaça atual imposta pelo bioterrorismo com nossa experiência passada com a ameaça do vírus da gripe, nós acreditamos que a própria natureza pode ser considerada a principal bioterrorista”. 
Depois de meses de discussão sobre o tema, a agência NSABB mudou de ideia e, no fim de março, recomendou que os estudos fossem publicados integralmente.
O vírus Influenza H5N1 é capaz de ser transmitido de ave para ave. Alguns casos de transmissão ave-ser humano já foram descritos — porém não há, ainda, relato de transmissão humano-humano. Os polêmicos experimentos consistiram na transmissão do virus de ave para os furões. De início a transmissão furão-furão só ocorria de forma forçada, até que após algumas mutações o vírus foi capaz de infectar outros furões por via aérea e de forma expontânea. As setas em verde mostram as rotas de transmissão já estabelecidas (sejam elas artificiais ou naturais), as setas em vermelho mostram as possíveis vias de trasmissão que são temidas para o desencadeamento de uma epidemia — o texto na figura mostra os agurmentos a favor ou contra a continuidade dos estudos com o H5N1. Fonte: Scienceblogs
Os Cientistas
O estudo é liderado por Yoshihiro Kawaoka, da Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos. Na Holanda, outro grupo, liderado por Ron Fouchier (Centro Médico Erasmus), obteve resultados semelhantes. No entanto, por problemas burocráticos, este segundo estudo não foi publicado nesta edição.

As mutações
O perigo da transmissão do vírus da gripe aviária está relacionado à proteína do envoltório do vírus, chamada hemaglutinina ( “H” em H5N1).  Está é responsável  pela ligação às células do hospedeiro, permitindo a infecção (gripe).
Estrutura do Vírus Influenza:

Adaptado de: http://www.virology.ws
Segundo os Cientistas Michael Osterholm, Universidade de Minnesota, e Donald Henderson, Universidade de Pittsburgh, “as linhagens que circulam atualmente do H5N1, com sua mortalidade em humanos estimada entre 30% e 80%, colocam esse patógeno na categoria de uma das doenças infecciosas humanas mais mortais conhecidas".
O nosso sistema imunológico não consegue combater os vírus que possuem a hemaglutinina H5, e por isso o vírus é tão letal para os humanos. Apesar disso, ainda não há motivo para pânico, pois o vírus H5N1 não é transmissível de mamífero para mamífero, e todos os humanos que já morreram da doença (340 pessoas no mundo) a contraíram de aves. Isso é possível pois a H5 só se liga aos receptores celulares na presença de alguns ácidos existentes no pulmão de aves, mas não no de mamíferos. Os cientistas induziram mutações genéticas no vírus H1N1 e criaram um tipo de H5N1, o qual se adaptou ao pulmão dos furões, tornando-se em seguida transmissível pelo ar.
O furão é o melhor modelo animal disponível para o estudo da transmissão da gripe em humanos. Apesar de o vírus mutado ter provocado lesões nos pulmões e perda de peso nos furões, não levou à morte, como o vírus encontrado nas aves. Porém, os cientistas acreditam que  novas mutações poderiam levar a uma versão mamífera com a mesma letalidade do H5N1.
A alteração foi criada em laboratório, mas pode acontecer na natureza, em animais como porcos. Portanto, esta pesquisa não representa somente uma ameaça no desenvolvimento de armas biológicas, mas também possibilita a descoberta de  novos tratamentos contra os diferentes vírus da gripe já existentes. Segundo Hui Ling-Yen e Joseph Sriyal Malik Peiris,  “compreender as mutações que conferem a transmissão entre mamíferos do vírus da gripe aviária vai permitir melhor avaliação de risco dos vírus animais que representem uma ameaça pandêmica e ajudar a selecionar os tipos de vírus contra os quais as vacinas pré-pandêmicas devem ser geradas”.
Como age o vírus:


Mapa do vírus no mundo:

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Fontes:
 G1           Artigo - Nature

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