sexta-feira, 13 de abril de 2012

Alice no país das maravilhas – Os símbolos ocultos de um conto infantil

Um clássico de Walt Disney, assistido por milhões de crianças e adultos, é uma história que passa despercebida entre tantos contos de fadas e personagens infantis. Um desenho que muitas vezes chega às raias do ridículo. Quem assistiu pelo menos uma vez com certeza deve ter ficado intrigado com aquele coelho apressado, coelho esse que às vezes aparece em alguma outra produção, filme ou musica. “Siga o coelho branco”, foi o que Trinity falou a Neo em uma das metáforas metafísicas de acordar. Logo em seguida sua campainha toca e, ao abrir a porta, se depara com uma mulher com a tatuagem de um coelho branco no ombro.
O Coelho Branco é aludido várias vezes na série Lost. É o nome de um episódio em que John Locke diz que Jack está seguindo o Coelho Branco na forma de seu pai. O Coelho Branco é também o símbolo da estação "Looking Glass Station" Darma ou Dharma, tem como símbolo um coelho, significa “Lei Natural" ou "Realidade”. Seu significado espiritual pode ser “o Caminho para a Verdade Superior".


Recentemente, o sucesso da refilmagem de Alice no País da Maravilhas trouxe muitas especulações sobre a presença do simbolismo oculto nesta história: a principio vista como um simples conto infantil, pois qualquer pessoa que tenha visto o filme irá notar que é cheio de simbologia. Começando pela trilha sonora cantada por Avril Lavigne que no vídeo atua como Alice.

O vídeo Já começa com o coelho branco, e a nossa Alice cai na toca do coelho e entra em um mundo estranho cheio de criaturas bizarras, seu primeiro encontro é com a lagarta. Este símbolo pode ser interpretado como a transformação, mas vamos além.   

No filme uma lagarta azul fumando narguilê sentada em um cogumelo, uma clara alusão ao uso de drogas, especialmente pelo cogumelo, que tem um enorme significado no mundo esotérico como um meio de comunicação com o divino. A essência tóxica de alguns cogumelos quando em contato com o cérebro leva a sérios sintomas e alucinações, e são usados há milhares de anos por pessoas que acreditam receber mensagens dos deuses. Destes o cogumelo “agário –das –moscas” (amanita muscaria), de cor vermelha com pontos brancos, é utilizado há milhares de anos por xamãs e curandeiros na Ásia, África, Europa e Américas, sobretudo para propósitos religiosos tais como curas, profecias, invocação de espíritos, comunicação com antepassados e percepção da imortalidade divina. Especula-se também que este cogumelo esteja presente no despontar das principais religiões do planeta, presente em contos populares e em textos de alquimia. Especificamente este cogumelo torna a pessoa tão alucinada que ela tem a sensação de que alguns objetos s ão maiores ou menores do que realmente são, e também com frequência a pessoa pode adormecer por algumas horas e ter sonhos vívidos e quando acorda a pessoa continua a ter visões. Notamos então a mudança na percepção de Alice quando ela come o bolo. Ela está encolhendo enquanto os objetos crescem, o bolo é o cogumelo ou foi feito de cogumelo. 

Na fé cristã vemos semelhança na hóstia que simboliza o corpo de Cristo, a qual o padre segura no alto durante a comunhão. É na verdade uma referência ao cogumelo agário-das–moscas, e que após a ingestão crentes e místicos da antiguidade se comunicavam com seu Deus.



Voltamos ao vídeo de Avril Lavigne: 

Alice é convidada a sentar á mesa com o Chapeleiro maluco, que veste além de uma cartola maçônica um traje típico de um líder maçon do alto escalão. 

 George Washington com trajes de Maçon
O significado das rainhas branca e vermelha, que no filme são irmãs, representa a dualidade de Vênus, a estrela da manhã, que anuncia um novo dia o retorno do sol “que traz a luz” ou “Lúcifer” (em latim lux significa luz, e ferre significa trazer ou vestir). Vênus como estrela da manhã tem um significado positivo no ocultismo, por isso é reverenciado por muitas sociedades secretas através do nome Lúcifer. Ao mesmo tempo Vênus também é a estrela da noite, a que anuncia a escuridão, e seu nome é Satã. Seu símbolo é o pentagrama, que também é símbolo de Sirius, que são evidências da religião egípcia como novo sol.

Sirius a força geradora masculina, Vênus o lado feminino, juntos contribuindo para o nascimento de um novo sol.           
O pentagrama, Vênus e Sirius, também têm outras formas de representação. A pomba branca é também um típico símbolo de Vênus. Vemo-lo até mesmo na catedral de São Pedro, onde o Papa realiza com satisfação o ritual de soltar uma pomba branca na Praça de São Pedro, onde há diversos símbolos astrológicos, destaque para o obelisco no centro da famosa praça. 
Ele representa a perda de Osíris, portanto as três estrelas proeminentes de Orion. A cúpula da catedral de onde o pombo é solto, correspondem aos seios de Vênus: os dois símbolos juntos, seguidos do pentagrama, que é claro não poderiam faltar.
A multidão celebra esse ritual como um símbolo da paz, mas não faz idéia de que está participando de um ritual astrológico. Outros símbolos de Vênus são vestidos e sapatos vermelhos, isso se dá pelos raios vermelhos do pôr do sol, assim Vênus se veste de vermelho, metaforicamente. 
O Coelho 

Agora chegamos ao significado do coelho branco, símbolo muito popular, mas seu significado é entendido por poucas pessoas. Ele é o motivo pelo qual Alice cai no submundo. Há uma conexão entre os coelhos e os cogumelos agários-das-moscas, e os caracóis e a nossa velha lagarta, e é por isso que ela está sentada no cogumelo . Além disso, voltamos à questão das cores: coelhos albinos têm a pela branca e olhos vermelhos, as mesmas cores do agário-das-moscas, que por sua vez são as cores de Vênus. 

A complexidade do símbolo aumenta quando chegamos a toca do coelho, quando suas ramificações simbolizam as do espírito humano que aumenta com o consumo do cogumelo. Além disso, quando a parte visível deste sai acima do solo, resta uma espécie de ninho através do qual um novo cogumelo irá crescer, após um curto período de tempo, e esta é a razão pela qual os ovos de páscoa são escondidos nas festividades : representam o estágio inicial do cogumelo.

Ou seja, nada a ver com a páscoa judaica, que segundo as instruções divinas aconteceu depois da matança dos primogênitos no Egito. Cada família hebréia deveria sacrificar um cordeiro e expandir o seu sangue nos umbrais das portas de sua casa. Este era o sinal para que o mensageiro de Deus não atingisse aquela casa com a décima praga. Em comemoração a este livramento deveriam então observar a festa da Páscoa. 
A chamada páscoa cristã foi estabelecida no Concílio de Nicéia, no ano de 325 de nossa era, baseada em motivos judaicos supostamente, a passagem do mar vermelho, a viagem pelo deserto o maná que explicaria a eucaristia e em outros ritos desaparecidos ao longo do tempo. 
Por tanto o coelho branco mostra o caminho para os cogumelos, que te levará a uma viagem ao mundo secreto dos espíritos, para se comunicar com Deus, fantasmas, demônios e outras criaturas, e essa é a verdade sobre a toca do coelho. Um jargão esotérico diz o seguinte “Siga o coelho Branco e atingirá a iluminação espiritual”.

Isso também está ligado aos símbolos astrológicos: o próprio coelho. É um componente astrológico na constelação de Lepus, conhecido como Lebre, abaixo do cinturão de Orion, que desempenha um grande papel no meio oculto e esotérico como o grande caçador, com seus dois cães (Canis Minor e Canis Major), que seguem o coelho, pois este sabe o caminho para o submundo da escuridão.
No filme o coelho está sempre checando seu relógio com pressa, representando a caçada astrológica, além do que a ingestão do agário-das–moscas pode também causar a perda da noção do tempo, descido a alucinação.


O ultimo sinal tem grande importância, porque é a casa da estrela Sirius: a estrela mais brilhante do céu noturno. Conhecida no antigo Egito como Spodet (do grego: Sothis), e que os egípcios tomarão como base de seu calendário o nascer helíaco de Sirius, o dia em que ela se torna visível pouco antes do nascer do Sol, e que ocorria antes da inundação anual do Nilo. É o olho do cão, que no filme é arrancado e trazido de volta por Alice em troca de um favor: agora Canis Minor e Canis Major mostram o caminho a Alice. 
Bandersnatch é uma criatura desagradável, fedorenta e que fala pelos cotovelos. Grande e com um corpo asqueroso, a criatura faz Alice relembrar o péssimo reinado da Rainha Vermelha.


cão Bayard é um cúmplice forçado do exército da Rainha Vermelha, ele se tornada aliado de Alice e ajuda o Mundo Subterrâneo.
 
Alice

A história de Alice no País das Maravilhas pode parecer a primeira vista nada mais do que uma crença astrológica aliada ao uso de drogas, baseada na mitologia grega onde a protagonista é Sofia: a personificação da Sabedoria. Na tradição gnóstica, Sophia é uma figura feminina, análoga à alma humana e simultaneamente um dos aspectos femininos de Deus. Os gnósticos afirmam que ela é a sizígia de Jesus (noiva de Cristo) e o Espírito Santo da Trindade. É referenciada pelo equivalente hebreu Achamōth.  Nos textos da Biblioteca de Nag Hammadi, Sophia é o mais baixo dos Aeons (em termos latos, um enorme período de tempo, ou a eternidade, ou a expressão da emanação da luz de Deus).

Ela é considerada como a responsável pela criação do mundo material, ou uma das responsáveis, dependendo da tradição gnóstica.

Ela, assim como Alice, caiu do mundo espiritual, do paraíso chamado Pleroma, para o mundo material. A antítese de Pleroma, chamado Kenoma, a mesma coisa acontece com Alice. Assim como Lúcifer, o portador da luz que caiu do céu a terra. O nome Alice é derivado da palavra grega “Aletheia”, que significa “Verdade”.

Sophia cai no caos em Kenoma, e Alice no caos do País das Maravilhas. Ambas perdem seu senso de direção devido ao efeito de alguma substância alucinógena. Ambas recebem ajuda de criaturas misteriosas em sua viagem espiritual. No caso de Sophia o Cristo Cósmico, e Alice do gato (Cheschire Cat): as iniciais coincidem. Ambas têm que lutar com criaturas ou monstros: Alice contra o dragão Jabberwocky, Sophia contra Jeová em forma de dragão: as iniciais também coincidem.

Ambas têm que superar desafios para poderem voltar para casa, e finalmente ambas são a personificação da alma humana na busca da iluminação espiritual. Alice tem que resolver mistérios que muitas vezes refletem a natureza humana e Sophia descobrir a oração correta para se autocompreender e encontrar seu lugar no reino da Eternidade. Histórias totalmente gnósticas e que lembram totalmente o “G” no logo oficial dos maçons, que significa Gnose.



O filme segue o padrão preto e branco xadrez dos maçons. Vamos dar uma analisada no autor de Alice no País das Maravilhas:

A história oficial é de Lewis Carroll, cujo verdadeiro nome era Charles Dodgson. Ele teve a idéia de escrever Alice num passeio de barco ao rio Tamisa. A bordo com ele estavam o reverendo Robinson Duckworth e três crianças da família Liddell: Edith, Lorina e Alice. Oficialmente Lewis foi considerado como um diácono cristão, mas através de suas obras vemos seu interesse em hipnose. Ele fazia parte da Sociedade Teosófica, que também tinha como membro L.Frank Baum, autor de O Mágico de Oz. Lewis não confessava abertamente fazer parte desta Sociedade.  

Um capítulo da vida de Carroll tem a ver com Alice Lidell, uma das filhas do reverendo, que com 7 anos fazia passeios de canoa com Carroll. Ela posava para suas fotos e acabou sendo a musa inspiradora dos clássicos Alice no País das Maravilhas (1865) e Através do Espelho (1871)- este inclusive termina com um poema em que as primeiras letras de cada estrofe formam o nome da menina. Qualquer pessoa pensaria logo em pedofilia, e é claro que não se pode deixar de pensar nisso, pois uma amizade entre um homem de 31 anos e uma menina de 7 não é nada comum.

Até hoje não se sabe a verdade realmente, embora em muitas de suas fotos não há outra impressão para se ter de que estamos lidando com um pedófilo. 

Essas são especulações que nunca foram comprovadas. Estranho e conveniente o desaparecimento de quatro de treze de seus diários, vão na mesma direção, faltam os anos de 1853 até 1862, período do nascimento de Alice até o ano de uma suposta proposta de casamento de Carroll para Alice com 11 anos de idade: fato esse que não incomodou nem mesmo Henry Liddell, pai de Alice.





Alice Liddell
A foto A Pequena Mendiga (acima) foi tirada pelo próprio Carroll quando a menina tinha ainda 7 anos 




Fato é que nenhuma criança entende Alice no País das Maravilhas, pois não foi escrito para crianças e sim para aqueles que faziam parte da sociedade secreta, seja a maçonaria ou a sociedade Teosófica, com seus códigos e mensagens e conspirações astrológicas, mascaradas em um conto infantil.

Texto baseado no documentário alemão Pop Okkultur volume I e II traduzido e publicado pelo canal Matrixxx Brasil.

Joice Alves Duarte
30 anos, mãe e Técnica em Radiologia
Apaixonada pelos mistérios do Antigo Egito e Suméria
Fonte: http://aborigine42.blogspot.com.br/

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