quinta-feira, 6 de outubro de 2011

As atrocidades médicas cometidas durante o séc. XX pelos americanos!


 Sessão do Tribunal de Nuremberg, 
que julgou 23 médicos nazistas após a Segunda Guerra Mundial

Os Tribunais Médicos de Nuremberg, realizados após a Segunda Guerra Mundial (entre 1946 e 1947), condenaram implacavelmente vários médicos nazistas que realizaram pesquisas tenebrosas com prisioneiros nos campos de concentração do leste europeu. Sete dos vinte e três réus foram condenados à morte, e muitos outros à prisão.  

O médico Karl Brandt ouve sua sentença de morte no Tribunal de Nuremberg

O mais famoso dos monstruosos médicos nazistas, Joseph Mengele, conseguiu escapar da Alemanha sem ser capturado, e não foi julgado em Nuremberg, porém a simples menção de seu nome traz arrepios, e remete a experiências como injeções de ácido, ingestão de produtos químicos, congelamento e outras, no que ficou conhecido como "tortura médica".

 O "monstro" Joseph Mengele não foi julgado, pois foi estranhamente solto após sua rendição
Fugiu para a América do Sul, onde viveu tranquilamente por mais de 30 anos




Porém, o que é muito pouco divulgado, é que médicos norte-americanos realizaram pesquisas quase tão horríveis com prisioneiros de seu próprio sistema penitenciário ou de colônias durante toda a primeira metade do século XX, tendo como justificativa o fato de que os "cobaias" eram voluntários. 

Prisão americana em foto do final do séc. XIX, início do séc. XX
Os presos não tinham um tratamento que se poderia chamar de "humanitário"

Isto não é mentira, mas em troca de clemência total de sua penas em fazendas de trabalhos forçados ou uma vida solitária em celas de 2 metros quadrados, os prisioneiros aceitavam correr riscos inimagináveis, agarrando-se desesperadamente à sua única esperança de liberdade.

Advogado de defesa alemão estuda o processo em Nuremberg

Os advogados alemães não negaram as experiências realizadas por seus clientes, mas insistiram que as regras inclementes aplicadas em Nuremberg só serviriam para os oficiais alemães, já que experiências semelhantes eram executadas frequentemente nos Estados Unidos, e relataram vários episódios que depois foram comprovados como reais. Eis alguns deles...

Postal da Prisão de Bilibid, nas Filipinas (na época pertencente aos EUA)
Palco de um experimento médico sobre cólera feito com os detentos


O primeiro registro deste tipo de experiência data de 1906, quando o Dr Richard P. Strong realizou um estudo sobre a infecção de prisioneiros com o vírus da cólera na prisão de Bilibid, nas Filipinas (na época um território americano, que só se tornou independente em 1946). 

Dr. Richard P. Strong
Depois das Filipinas, teve uma carreira brilhante em Harvard

13 detentos morreram devido à troca do soro com o vírus da cólera por outro com o da peste bubônica. Mesmo com este erro, o Dr. Strong continuou sua experiência, causando mais algumas mortes. Posteriormente o mesmo médico tornou-se professor titular de Doenças Tropicais da conceituada Universidade de Harvard. Os detentos que sobreviveram às experiências ganharam alguns pacotes de cigarros. 

Dr. Joseph Goldberger
5 vezes indicado ao Prêmio Nobel, provocou Pellagra em 12 detentos
Status de herói nacional

Outro exemplo é o do Dr. Joseph Goldberger, um profissional judeu de saúde pública do Mississipi, que fez experiências de indução de "pellagra" (uma doença mortal que desfigura os pacientes), para comprovar que a dieta do sul dos Estados Unidos, rica em carboidratos e pobre em proteínas seria a causa da alta incidência da doença na região em comparação ao resto do país. 

Os experimentos de Goldberger foram realizados na Penitenciária Estadual do Mississipi

Com a promessa de perdão total de seus crimes, 12 prisioneiros aceitaram participar do experimento. Durante meses foram alimentados apenas com derivados de milho. Após queixas de letargia, dores nas costas,  pernas e tontura, todos os pacientes começaram a apresentar os terríveis sintomas da doença. 

Pellagra, doença causada por deficiência de Vitamina B3
Muito dolorida, pode provocar a morte depois de anos de sofrimento


Os que sobreviveram tiveram o sonhado perdão, mas garantem que prefeririam uma vida inteira de trabalhos forçados ao sofrimento causado pelo experimento infernal. Apesar disto, Goldberger foi 5 vezes indicado ao Prêmio Nobel de Medicina, e seu estudo com os detentos ajudou na descoberta que o pellagra é causado por falta de vitamina B, e que pode realmente ser causado por excesso de carboidratos derivados do milho em detrimento a outros alimentos.

O Dr. Leo Stanley (à esquerda) trabalhou na prisão de San Quentin entre 1913 e 1951
Realizou vários experimentos com detentos, entre eles transplantes de testículos

Outras experiências absurdas como transplantes de testículos de cadáveres e animais em prisioneiros de San Quentin, ou transfusões de sangue bovino foram realizadas em prisões americanas.

Foto de um dos pavilhões da prisão de Stateville em illinois
O modelo circular chama-se "panóptico"

Mas o caso mais famoso e documentado teve lugar na Penitenciária de Stateville, em Illinois, durante a década de 40, onde o governo americano infectou mais de 400 prisioneiros com malária, para testar os medicamentos que seriam usados pelos soldados nos campos de batalha do Pacífico, onde a doença era muito comum. Crises de febre, vômitos, náuseas e desmaios fizeram parte do dia-a-dia dos prisioneiros durante 2 anos, em troca de diminuição de suas penas. 

Prisioneiro sendo picado por mosquitos infectados com Malária em Stateville

O experimento foi amplamente divulgado pela imprensa do país, com matérias que transformavam os prisioneiros quase em heróis, dizendo que até as "párias da sociedade" participavam do esforço de guerra em prol do bem-estar das tropas do Pacífico. Mesmo quando um dos prisioneiros faleceu devido a um ataque cardíaco ligado diretamente às recidivas da malária, o governo rapidamente divulgou que a morte do detento não era relacionada ao estudo em curso em Stateville.


Prisioneiro sofrendo com ataque de Malária
Em 1945, a Revista Life fez uma grande matéria sobre o assunto

Mesmo após a Segunda Guerra Mundial, quando o mundo todo tomou conhecimento das funestas experiências realizadas pelos nazistas, os estudos "voluntários" com detentos nos EUA continuaram, mas ao invés de clemência, o governo oferecia alguns dólares pela participação. A legislação americana restringiu estas experiências apenas na década de 70, após vários eventos mau-sucedidos...

A Life fez questão de mostrar o mesmo prisioneiro recebendo medicamentos...
Afinal, eles sempre são os "good guys"

Este post não quer de maneira alguma justificar que as condenações do Tribunal de Nuremberg deveria ter sido mais brandas com os médicos alemães que cometeram inúmeras atrocidades durante a segunda guerra. 

Porém, devemos entender que na História da Humanidade, muitas vezes os carrascos são mais parecidos com os réus do que gostaríamos...


Opostos ou Parecidos?


Informações sobre os terríveis experimentos nazistas em...

Saiba mais sobre os experimentos anti-éticos americanos em...

Conheça mais detalhes sobre o experimento de Malária em illinois

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