quinta-feira, 1 de setembro de 2011

A aterradora história do USS Indianapolis: Bomba Atômica, torpedos e muitos tubarões

O USS Indianapolis, um dos grandes cruzadores americanos na Guerra do Pacífico

No dia 16 de Julho de 1945, o Cruzador Americano Classe Portland USS Indianapolis deixou o porto de San Francisco na Califórnia, levando uma das menos desejadas cargas de todos os tempos: as peças principais e o Urânio enriquecido para a Bomba Atômica "Little Boy", lançada sobre Hiroshima algumas semanas depois.

"Little Boy", conhecida também como a "Bomba de Hiroshima"

Com extremo cuidado, este belo navio lançado ao mar em 1930 levou um total de 10 dias para chegar ao seu destino final, em 26 de Julho de 1945, na pequena ilha de Tinian, no Arquipélago das Marianas, de onde o bombardeiro Enola Gay decolaria para uma das mais mortíferas missões já executadas.

Ilha de Tinian, no arquipélago das Marianas
Foi dela que partiu a bomba que atingiu Hiroshima

Atualmente, Tinian é um bucolico ponto turístico das Marianas,
com direito a Resorts e Casinos luxuosos
http://en.wikipedia.org/wiki/Tinian

Após a "entrega", os 1.100 tripulantes do Indianapolis, incluindo seu capitão Charles Butler McVay III pareciam ter tirado um peso enorme de suas costas, e cumprindo ordens, chegaram à Ilha de Guam e fizeram troca de parte da tripulação. O cruzador deixou a ilha em 28 de Julho, seguindo para Leyte, nas Filipinas, onde esperariam pela aguardada ordem de invasão ao Japão.

O Capitão Charles Butler McVay III
Na Corte Marcial, admitiu ter falhado em não fazer o "zigzag"
Abalado mentalmente, suicidou-se em 1968

Este alívio pode ter sido um dos principais motivos da tragédia que se seguiria. Durante seu trajeto de Guam até Leyte, o Capitão McVay manteve uma velocidade de 12 nós sem zigzag, deixando de realizar uma manobra básica para dificultar o lançamento dos torpedos japoneses na região.

Ilustração mostrando o momento em que 2 Torpedos japoneses atingem o USS Indianapolis

Mas às 00:14h do dia 30 de Julho de 1945 o submarino japonês I-58 percebeu a "displicência" de seu alvo e lançou 2 torpedos que atingiram o Indianapolis em cheio, afundando-o em 12 minutos. Cerca de 300 tripulantes morreram na hora, e os 800 restantes foram atirados ao mar, em pequenos botes ou apenas com seus coletes salva-vidas.

Foto dos Oficiais e Tripulação do USS Indianapolis
A maioria deles teve um destino trágico



O Submarino Japonês I-58
O algoz do USS Indianapolis

Mas foi ao cair na água que os marinheiros do USS Indianapolis perceberam que seu sofrimento tinha apenas começado. 30 minutos  após o naufrágio foram avistados os primeiros tubarões, atraídos pela grande quantidade de sangue no mar, devido aos mortos e feridos no local.

Os marinheiros do Indianapolis à deriva em pequenos botes ou apenas com seus Coletes Salva-Vidas 
(reconstituição)

Desesperados, os marinheiros tentavam em vão afugentar os terríveis predadores, mas um a um marinheiros eram dilacerados pelos enormes peixes e arrastados para nunca mais voltar. Naquela primeira madrugada só se ouviam os gritos na escuridão, e ao nascer do Sol estima-se que mais de 100 marinheiros haviam sido devorados pelos tubarões.

 A tragédia do Indianapolis é considerada o maior ataque de tubarões a seres humanos já documentado

Aguardando ansiosamente por um rápido resgate, os marinheiros tentavam resistir aos ataques, e esperavam não serem as próximas vítimas, imaginando que a ajuda chegaria rapidamente. Porém, a missão "atômica" do Indianapolis era tão secreta que poucos sabiam sua rota, e os náufragos do Indianapolis foram encontrados apenas 4 dias depois de forma totalmente acidental, pelo Tenente Wilbor Gwinn, durante um vôo de rotina.

O resgate foi iniciado depois de 4 dias de terror

Dos 800 tripulantes que haviam sobrevivido ao naufrágio, apenas 321 foram resgatados com vida. Cerca de 500 homens foram devorados pelos tubarões, ou sucumbiram à fome, sede e desidratação causada pela ingestão de água salgada.

Sobreviventes do Indianapolis chegam à terra firme

O desastre do Indianapolis não foi divulgado imediatamente pelo Exército Americano, que esperou o lançamento das bombas atômicas, e apenas no dia 15 de Agosto de 1945, logo depois do Presidente Truman anunciar ao mundo a rendição japonesa, a Marinha Americana anunciava a perda de um de seus principais navios no Pacífico.

A bomba de Hiroshima causou impacto tal que a rendição japonesa era inevitável...


e o Presidente Truman a anunciou em 14 de Agosto de 1945
Apenas um dia depois a Marinha americana divulgou que o USS Indianapolis havia afundado

O submarino japonês que afundou o Indianapolis rendeu-se em Setembro de 1945 e foi afundado pelos americanos em 1946, como alvo para exercícios militares.

Foto da Sala de Torpedos do submarino I-58. Daqui saíram os torpedos que afundaram o Indianapolis
O I-58 seria afundado como alvo militar em 1946

Este episódio é conhecido como o maior ataque de tubarões a seres humanos já documentado. Seria uma "punição divina" pela participação em uma das mais terríveis e covardes operações bélicas de todos os tempos ?

Se o I-58  tivesse encontrado o USS Indianapolis alguns dias antes
talvez o Enola Gay não tivesse decolado de Tinian  para sua missão...
e a história do mundo seria totalmente diferente...

Qual seria a história da Humanidade se o USS Indianapolis e seu carrasco japonês tivessem se encontrado antes da entrega em Tinian? Com certeza poderíamos viver num mundo bem diferente...para melhor ou para pior


O USS Indianapolis foi também indiretamente responsável por uma das grandes cenas da história do cinema, quando no filme "Tubarão"(Jaws-1975) o personagem Quint, interpretado magnificamente por Robert Shaw, faz um Monólogo contando a tenebrosa história do navio americano, justificando todo o trauma que o transformou em um caçador de tubarões. Imperdível!



Na cidade de Indianapolis existe um Memorial ao navio batizado com seu nome, onde estão listados todos os mortos na tragédia. Uma lembrança de uma das mais aterrorizantes histórias da Segunda Guerra Mundial.

USS Indianapolis Memorial

Conheça mais detalhes desta história em...

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