sábado, 9 de julho de 2011

Construções sinistras: Amchitka, o último segredo nuclear norte-americano ?

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Rara foto tirada da base de Amchitka a 1500 metros de altitude, usando infravermelho, em 1971

As Ilhas Aleutas formam-se a partir de um prolongamento da costa do Alaska, estendendo-se em um arco de mais de 1.500 km,  até as proximidades do litoral russo. Compostas por mais de 300 ilhas rochosas, e habitadas por mais de 9.000 anos pelos nativos da região, guardam em seu território alguns dos mais bem guardados segredos militares americanos.

Localização da Ilha de Amchitka, nas Aleutas

É importante lembrar que mais de 1.400 soldados norte-americanos e cerca de 4.350 japoneses morreram nas Aleutas durante a Segunda Guerra Mundial, defendendo estas ilhas geladas que pareciam abrigar os "Jardins do Éden", tal a avidez com que os dois exércitos a disputaram. Anos antes, as Aleutas foram praticamente dadas de "brinde" pelo Império Russo na época da venda do Alaska aos americanos, em 1867, que custou 7.2 milhões de dólares, o que daria aproximadamente 113 milhões de dólares em valores atuais. Algo me diz que não foi um bom negócio...

Soldado americano durante a campanha das Aleutas, em 1943 

 
Destroços de um navio na Amchitka

Navio destruído. Lembranças da Segunda Guerra

Mais sobre as Aleutas e a Segunda Guerra mundial em...

Desde 1913, as Ilhas Aleutas eram uma área de preservação declarada pelo Presidente William Taft. Devido a seu clima que pode ser considerado ameno frente a outros locais do Ártico,  tornaram-se um paraíso para dezenas de espécies de aves, que lotam as ilhas durante algumas épocas do ano.

Praia de Amchitka durante o verão

Mas esta preocupação com a vida selvagem das Aleutas durou pouco, e as verdadeiras intenções americanas em relação às ilhas foram mostradas a partir de 1951, quando o governo americano transformou a ilha de Amchitka, nas Aleutas, em seu mais importante centro de testes atômicos, com a detonação de vários artefatos nucleares.

Cannikin, a mais poderosa bomba atômica subterrânea já detonada


O mais emblemático deles foi a detonação subterrânea da poderosa bomba chamada de "Cannikin", em 1971, com um poder de 5 megatons, a mais poderosa bomba subterrânea detonada até então.

Resíduos radioativos até hoje permanecem em Amchitka
Camadas de poliéster impermeabilizam o solo

Os esforços de grupos pacifistas para impedir os testes inspiraram a criação do "Greenpeace". Um concerto de Rock chamado "Amchitka" em outubro de 1970 na cidade de Vancouver, com a participação de James Taylor, Jonni Mitchell e Phil Ochs marcou a criação do movimento ambientalista mais importante e polêmico de todos os tempos, que em 2010 completou 40 anos.

James Taylor, no Concerto de 1970 que deu origem ao Greenpeace
"Amchitka Concert"

Apesar da pressão de uma importante parcela da população e várias tentativas frustradas do Greenpeace em impedir o evento, o artefato foi testado, causando um abalo sísmico de 7 graus na Escala Richter, erguendo o solo a 3 metros de altura em um perímetro de centenas de metros. 

Assista a um vídeo que mostra os efeitos da detonação subterrânea


As ondas de choque mataram nada menos do que 2.000 lontras, sensíveis à brusca mudança de pressão da explosão. Nas semanas seguintes, dezenas de abalos de até 4 graus Richter foram registrados, relacionados diretamente ao "Evento Cannikin".

A Cannikin matou nada menos do que 2000 lontras marinhas
Sensibilidade à súbita mudança de pressão causada pela detonação

Muitos grupos acreditam que a radioatividade que até hoje afeta a ilha, obrigando um controle rígido do exército americano e agências nucleares no local, esteja sendo jogada no Oceano Pacífico através de fissuras que se abriram na região, e que os efeitos cumulativos da liberação de Plutônio e Amerício já se fazem sentir na fauna marinha. O governo americano faz questão de negar e mostrar estudos mostrando que a contaminação radioativa no local existe, mas é "insignificante", e que constantes trabalhos de drenagem e a aplicação de uma membrana de poliéster nas fissuras mantém a segurança do local.

Pedra de Urânio. 
Estaria a fauna  de Amchikta sendo afetada pela radioatividade? 

Numa época em que é impossível esconder algo, o Exército americano ainda tenta...Veja a "camuflagem" da base de Amchitka no Google Maps. A metade leste da ilha, que a princípio parece uma grande geleira, esconde os contornos de prédios, estradas e pistas de pouso quando visualizadas detalhadamente, com zoom. 

O teste da "Cannikin" em 1971 foi o último realizado em Amchitka. Pelo menos oficialmente...


Mapa da Ilha de Amchitka
Nem no Google Maps ela aparece como realmente é...

Mais sobre a Ilha de Amchitka e suas curiosas histórias em...

Mais sobre o Alaska, comprado por uma ninharia pelos EUA...


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