quinta-feira, 30 de junho de 2011

WikiLeaks: Um ano após invasão, EUA pediram anistia da dívida do Iraque com Brasil

  • Estátua de Saddam Hussein é derrubada após a morte do ditador, capturado pelos americanos em 2003; documentos do WikiLeaks revelam que EUA pedirar ao Brasil a anistia da dívida iraquiana Estátua de Saddam Hussein é derrubada após a morte do ditador, capturado pelos americanos em 2003; documentos do WikiLeaks revelam que EUA pedirar ao Brasil a anistia da dívida iraquiana
 

Um ano após a invasão do Iraque, em 2003, os Estados Unidos sondaram as autoridades brasileiras para uma eventual redução da dívida do país com o Brasil.
Além disso, dois embaixadores americanos no Brasil também se mostraram preocupados com a aplicação da Resolução nº 1483 do Conselho de Segurança das Nações Unidas, segundo revelam os documentos obtidos pelo WikiLeaks e divulgados nesta quarta-feira pela Agência Pública.
A resolução discorre sobre as ações para a reconstrução do Iraque e também congelou a transferência de recursos financeiros retirados do país por Saddam Hussein e seus aliados políticos.
No dia 16 de junho de 2004, a então embaixadora americana Donna Hrinak se reuniu com Marcos Pinta Gama, descrito como chefe da divisão de combate de atividades ilícitas internacionais do Ministério das Relações Exteriores, e também com Ricardo Liao, do Banco Central, que comandava uma divisão similar no órgão.
Foram duas reuniões diferentes, mas os dois afirmaram que a implementação da Resolução nº 1483 dependia do esforço dos bancos. “Pinta Gama concordou em emitir para todos os bancos as listas atualizadas da ONU”, diz o telegrama enviado a Washington no mesmo dia.

Em outubro daquele ano, o chefe do Departamento Econômico do Ministério das Relações Exteriores, Pirage Tarrago, disse que o Brasil queria reestabelecer as relações comerciais com o Iraque, inclusive com linhas de crédito.
Outro embaixador americano, John J. Danilovich, que assumiu o cargo depois de Donna Hrinak, comentou em um telegrama enviado no dia 27 de outubro as impressões de Tarrago sobre a dívida do Iraque com entidades brasileiras, em sua grande maioria empresas privadas, e que o “Brasil está preocupado com uma solução justa” para o problema. Esse débito vem principalmente de projetos de infraestrutura realizados no país por empresas brasileiras até 1990.
Para o secretário de assuntos internacionais do Ministério da Fazenda, Luiz Pereira, a redução e o perdão de uma parte do débito do Iraque poderiam ser votados pelo Congresso Nacional principalmente com as movimentações de outros países neste sentido e das negociações do Clube de Paris, uma instituição independente fundada em 1956 e constituída por 19 países que renegocia dívidas governamentais de  países em dificuldades financeiras.
Em outro telegrama, enviado em dezembro do mesmo ano, o embaixador Danilovich comentou que a dívida pública, segundo estimativas, estava em U$ 602,9 milhões. Piragibe Tarrago é citado novamente e afirmava que o máximo que o Brasil deveria oferecer na época era 50% de perdão no débito, que uma percentagem maior não seria aceita pelos congressistas brasileiros.
O Clube de Paris estimava que no final de 2004 o Iraque devia U$ 38,9 bilhões aos países do clube referentes somente ao período até a invasão do Kuwait, no dia 2 de agosto de 1990 e a dívida externa total era de U$ 120 bilhões.
Em 21 de novembro de 2004, 17 países do clube decidiram perdoar 80% desta dívida baixando de U$ 38,9  para U$ 7,8 bilhões. O Brasil aceitou em 2008 também extinguir 80% do débito iraquiano, o que faria com que a dívida baixasse para cerca de U$ 120 milhões.
*Com informações da Agência Pública

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