domingo, 20 de março de 2011

Twitter é obrigado a revelar dados de Julian Assange, fundador do Wikileaks

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O passarinho azul vai piar, a política de privacidade do Twitter é clara. Diz que as informações pessoais dos usuários são protegidas por sigilo. A regra existe, mas vale apenas para aqueles que não inimigos públicos dos Estados Unidos. Um juiz federal norte-americano emitiu uma ordem para que o Twitter revele dados privados de Julian Assange, fundador do site Wikileaks, de Birgitta Jonsdottir, outra colaboradora do site, de Bradley Manning, soldado acusado de vazar informações confidenciais do governo americano, e dois programadores.
Tudo porque, desde dezembro do ano passado, o Wikileaks revelou milhares de documentos confidenciais – e constrangedores – do Departamento de Estado norte-americano.
Ao todo, foram 251 mil telegramas de 274 embaixadas norte-americanas, revelando como os Estados Unidos interferem em assuntos internos de outros países e como agiram nas guerras do Iraque e do Afeganistão. A crise diplomática obrigou a secretária de Estado Hillary Clinton a disparar telefones de líderes de diversos países para contornar a crise.
Assange, por sua vez, não enfrenta problemas apenas com a Justiça dos Estados Unidos. Na Suécia, ele é acusado de ter mantido relações sexuais com duas mulheres, contra a vontade das mesmas. Segundo a Justiça sueca, ele cometeu estupro, assédio sexual e coerção ilegal. Assange, que é australiano, alega ser um perseguido político.
Com a quebra do sigilo o twitter, a liberdade de imprensa fica comprometida, pois qual seria a atividade ilegal do Wikileaks? Divulgar documentos que recebe de pessoas inconformadas com ilegalidades do poder? será que os jornais que publicaram as informações serão perseguidos também ? O Wikileaks prestou serviços relevantes à comunidade mundial com suas informações.
Foi o site que revelou o vídeo, feito a partir de um helicóptero Apache das tropas americanas no Iraque, de uma operação de ataque injustificado a simples suspeitos em Bagdá, que resultou na morte de um fotógrafo e de um motorista da Reuters em julho de 2007. O Exército alegava que as mortes tinham acontecido em um confronto contra insurgentes, o que o vídeo provou ser inverídico. A Reuters, que exigiu a reabertura das investigações, tentava sem sucesso obter o vídeo através da Lei de Liberdade de Informação desde a época do ataque.
Foi também através do Wikileaks que o mundo ficou sabendo de atrocidades cometidas pelas tropas americanas no Iraque e no Afeganistão. Na página principal do Wikileaks há uma frase da Time considerando que o site pode se tornar uma ferramenta jornalística tão importante quanto a Lei de Liberdade de Informação, que permite acesso integral ou parcial a documentos do governo. Parece que nem uma coisa nem outra está sendo respeitada na terra que se proclama a da liberdade.

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